Bartira Betini

Bartira Betini é jornalista formada pela Cásper Líbero em 1996 e passagens por veículos como TV Globo, Diario de São Paulo e Grupo Estado. É mãe da Sofia de 6 anos e desde a gravidez trabalha como repórter free lance escrevendo sobre educação, comportamento e variedades, entre outros temas. “Ser mãe é um universo único que me coloca em contato com situações inusitadas. Escrever sobre temas do dia a dia infantil é algo prazeroso porque aprendo com minha pequena e posso colocar em prática, ajudando outras pessoas”.

Por que fazer o teste do pezinho?

A criança nasce e o teste do pezinho é o primeiro procedimento quando o assunto é examinar e descobrir ou não qualquer doença que o recém-nascido possa ter. Este é um exame de suma importância, pois detecta patologias que podem comprometer as funções motoras e/ou intelectuais da criança. O diagnóstico precoce dessas doenças nos dá a possibilidade de tratamento, e assim evitar as consequências delas. Assim que a criança nasce, o exame é feito em todo serviço hospitalar, público e privado.

“É um direito de todos e não gera custos à família. Em alguns hospitais particulares são colhidas versões mais completas do teste, que pode rastrear mais de 30 doenças e sua realização não causa nenhum efeito colateral”, explica a pediatra Adriana Ribeiro Leite.

O período adequado para coleta é a partir do 5° dia de vida até 30°. Em alguns hospitais colhem a partir das primeiras 48h, porém existem doenças que podem não estar sensíveis ao teste nas primeiras horas de vida, tendo grande chance de precisar repetir o exame.

Em qualquer alteração no resultado, a mãe é convocada para nova coleta e confirmado qualquer resultado positivo, o pediatra da criança deve dar início ao tratamento e manter exames de controle.

O teste do pezinho detecta as principais doenças neonatais. Confira:

  • Fenilcetonúria: uma doença do metabolismo que causa um comprometimento neurológico no desenvolvimento da criança, e que é tratada com um leite especial disponível gratuitamente pelo SUS;
  • Hipotireoidismo congênito (TSH e T4):  causa lesão cerebral grave e irreversível  se não detectado, e é tratado com reposição hormonal precoce
  • Hemoglobinopatias: entre elas a anemia falciforme, uma anemia hereditária potencialmente grave, que provoca crises de dor, infecções graves, icterícia e cansaço;
  • Hiperplasia adrenal congênita (17 OH): alteração nos hormônios produzidos pela suprarrenal que pode evoluir com morte se não tratado
  • Fibrose Cística (IRT): doença que afeta de maneira importante a função pulmonar e do pâncreas, causando doença pulmonar crônica e diarreia crônica;
  • Deficiência de Biotinidase: evolui com convulsões, alteração na coordenação motora e desenvolvimento

Com o avanço da medicina, hoje se pode testar uma quantidade cada vez maior de doenças. “Vários laboratórios realizam de rotina, além dos acima citados, detecção de Toxoplasmose Congênita, Sífilis Congênita, Rubéola Congênita, Herpes Congênita, Citomegalovirus Congênito, Chagas Congênito, Deficiência de G6PD (mais comum em bebês com descendência do Mediterrâneo), Galactosemia e avaliação quantitativa de aminoacidopatias”, explica o pediatra Kennedy Long Schisler, da Saluspot.

Em casos especiais, é possível detectar doenças ainda mais raras, como doenças do metabolismo que ocorrem por Distúrbio de Ácidos Orgânicos, do Ciclo de Ureia e dos Ácidos Graxos, bem como detectar Surdez Congênita não Sindrômica.

Recentemente, foi iniciado experimentalmente em São Paulo, e de rotina em Minas Gerais, a detecção dos TRECs (do inglês “T Cell Receptor Excision Circles”) em amostras de DNA extraídas do sangue coletado no teste do pezinho, para a detecção da Imunodeficiência Combinada Grave (em inglês “SCID”), doença rara, mas extremamente grave e incompatível.

vitor.romera@myagencia.com.br'

Bartira Betini

Bartira Betini é jornalista formada pela Cásper Líbero em 1996 e passagens por veículos como TV Globo, Diario de São Paulo e Grupo Estado. É mãe da Sofia de 6 anos e desde a gravidez trabalha como repórter free lance escrevendo sobre educação, comportamento e variedades, entre outros temas. “Ser mãe é um universo único que me coloca em contato com situações inusitadas. Escrever sobre temas do dia a dia infantil é algo prazeroso porque aprendo com minha pequena e posso colocar em prática, ajudando outras pessoas”.