Bartira Betini

Bartira Betini é jornalista formada pela Cásper Líbero em 1996 e passagens por veículos como TV Globo, Diario de São Paulo e Grupo Estado. É mãe da Sofia de 6 anos e desde a gravidez trabalha como repórter free lance escrevendo sobre educação, comportamento e variedades, entre outros temas. “Ser mãe é um universo único que me coloca em contato com situações inusitadas. Escrever sobre temas do dia a dia infantil é algo prazeroso porque aprendo com minha pequena e posso colocar em prática, ajudando outras pessoas”.

8 de setembro, Dia da Alfabetização!

Em 8 de setembro de 1967, por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), foi decretado o Dia Internacional da Alfabetização. O objetivo era chegar a um compromisso mundial com relação ao desenvolvimento e à educação.

É preciso entender que desde os primeiros anos de vida o mundo letrado circunda a rotina da criança. Ela observa, reproduz, imita, cria seus próprios sons e estabelece uma comunicação a seu modo com o mundo externo. O ideal é que todo esse universo seja explorado nas inúmeras oportunidades diárias e, para isso, concretize um contexto lúdico e trabalhe com contos infantis, jogos de alfabetização, alfabeto móvel, elementos observáveis e expostos ao redor da criança.

“Gradativamente e em cada fase do desenvolvimento infantil novas intervenções e, portanto, novos desafios ao processo de aquisição de novas palavras e de seus respectivos significados. Ler e escrever exercem função, aspecto este que converge com o processo comunicativo iniciado desde os primeiros anos de vida da criança com o meio circundante”, diz a professora Daniela Andreza Rodrigues Bartholo, coordenadora do curso de Licenciatura em Pedagogia do Senac EAD.

A parceria da família é fundamental. Acompanhar as lições de casa, ler histórias, levar a criança em passeios culturais e também a locais em que ela possa perceber que a comunicação está presente é fundamental. Por exemplo: levar o filho à feira pode ser estimulante e muito bacana. Os pais podem mostrar todas as informações existentes, inclusive as que envolvem matemática. Se a criança percebe que em seu ambiente familiar há o habito da leitura, certamente ela apresentará interesse.

“A consequência disso é quando ela dá os primeiros sinais de interesse ao comentar quando sai com a família: Olha a letra do meu nome ali! Aquela letra é a mesma do nome do meu amigo! O que está escrito nesta placa? Já a escola precisa propiciar situações para que a aprendizagem ocorra de forma natural e seja construída por meio de discussões coletivas e também das descobertas individuais. Os alunos descobrem coisas novas o tempo todo. O desafio do professor é conseguir gerenciar seu tempo para aproveitar cada situação”, explica Janaína Xavier, coordenadora de educação infantil e professora de primeiro ano do Colégio Jean Piaget, em Santos.

Os pais e também os educadores precisam compreender que cada criança aprenderá de sua maneira, em seu tempo e não há um padrão. “Somos iguais por sermos diferentes uns dos outros e essa premissa também deve ser reconhecida pelas escolas. Costumo dizer que o método certo é aquele que chega ao objetivo previsto, portanto é preciso diversificar até que se encontre o melhor caminho para a aquisição de conhecimento acontecer”, pontua Daniela.

Janaína ressalta que criar situações em que as crianças possam compartilhar seus conhecimentos com o grupo deixa a aprendizagem mais significativa. “O professor precisa de um olhar apurado também para perceber se a criança apresenta alguma dificuldade de aprendizagem.Caso ela não responda aos estímulos, é importante buscar como ela aprende e adequar-se as estratégias para que ela alcance os objetivos propostos”.

“Não há porquê condenar formas tradicionais de ensinar e aprender, muito menos afirmar que o construtivismo ou o socioconstrutivismo consigam abarcar todos os estilos de aprendizagem. No passado, fomos alfabetizados por meio da memorização e cá estamos. Porém, atualmente novas estratégias foram incorporadas no campo didático-metodológico para que o desenvolvimento e a aprendizagem aconteçam de forma mais integral e sob um respeito da realidade complexa que nos circunda”, acredita Daniela.

Segundo determinações curriculares gerais, o ideal é que a alfabetização aconteça até os oito ou nove anos de idade, pois a criança, estimulada desde os primeiros anos de vida, terá o nível infantil para a imersão no mundo letrado de maneira mais frequente e, posteriormente nos primeiros anos do ensino fundamental vivenciará a sistematização do processo de alfabetização percorrendo etapas distintas dentro do mesmo processo. Contudo, essa dinâmica não pode ser um padrão fixado e inflexível, pois há ritmos diferentes de aprendizagem, assim como um tempo individual de cada criança.
Professores e equipe escolar agem em prol da expectativa geral, mas a peculiaridade subjetiva de cada criança/aluno precisa ser respeitada e cuidadosamente trabalhada para não favorecer estados emocionais de baixa autoestima, desmotivação e apatia na criança.

Livros e jogos atuam no mundo simbólico, tipicamente presente na infância e pré-adolescência. Desenvolvem competências criativas, associativas, imaginativas e etc. A leitura de livros podem estimulam, impulsionar, motivar “o gosto pela leitura”. Cabe ressaltar que o livro desperta o interesse na criança quando esse leitor se identifica ou se afiniza com os valores e sentimentos da história contada ou lida. Quanto aos jogos, estes estimulam a cooperação, à sociabilidade e a competitividade, por exemplo.

Dicas
O que é essencial em qualquer método na hora de alfabetizar uma criança?

– O respeito à diversidade: do aluno e das estratégias para alfabetização;
– Sondar o repertório de conhecimento prévio da criança;
– Considerar seu contexto de inserção para interfaces com outros contextos;
– Utilizar assuntos que despertem atenção/interesse e que estejam sob consonância à sua fase de desenvolvimento;
– Edificar um universo lúdico e diversificado sob o uso de jogos e brincadeiras;
– Trabalhar a alfabetização de forma articulada com artes (música, dança, pintura etc.).

vitor.romera@myagencia.com.br'

Bartira Betini

Bartira Betini é jornalista formada pela Cásper Líbero em 1996 e passagens por veículos como TV Globo, Diario de São Paulo e Grupo Estado. É mãe da Sofia de 6 anos e desde a gravidez trabalha como repórter free lance escrevendo sobre educação, comportamento e variedades, entre outros temas. “Ser mãe é um universo único que me coloca em contato com situações inusitadas. Escrever sobre temas do dia a dia infantil é algo prazeroso porque aprendo com minha pequena e posso colocar em prática, ajudando outras pessoas”.